A litíase renal, também chamada de pedra nos rins ou cálculo renal, é uma doença renal relativamente comum que pode causar dor intensa e recorrente se não for tratada adequadamente. Trata-se de uma condição em que há acúmulo de sais minerais nos rins, formando cálculos que acabam migrando pelas vias urinárias e podem, portanto, provocar crises dolorosas.

Além disso, as novas diretrizes brasileiras de nefrolitíase (2025), publicadas pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), trouxeram importantes avanços nas recomendações sobre diagnóstico e prevenção.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que é litíase renal, suas causas, principais sintomas, como diagnosticar e tratar, bem como dicas eficazes de prevenção.

Se você já teve uma pedra nos rins ou quer evitar o problema, este conteúdo foi feito para você.

O que é Litíase Renal?

Litíase renal (ou nefrolitíase) é a formação de “pedras” ou agregados sólidos no sistema urinário — tipicamente nos rins, mas que podem migrar para os ureteres ou bexiga. Esses cálculos são formados quando alguns componentes da urina (como cálcio, oxalato, fósforo, ácido úrico, entre outros) se concentram demais ou não são adequadamente eliminados. Ao precipitarem, eles formam esses agregados.

As diretrizes da SBN destacam que a litíase urinária tem relação não só com fatores locais (urinários), mas também com características metabólicas e sistêmicas do indivíduo.

Prevalência e tendência

A litíase renal afeta entre 10% a 15% da população ao longo da vida. Nos últimos anos, estudos brasileiros indicam que a prevalência tem crescido, possivelmente relacionada ao aumento de doenças metabólicas como obesidade e diabetes. Por essa razão, compreender seus fatores de risco tornou-se essencial.

Causas e fatores de risco

A formação de um cálculo renal resulta da interação de diversos fatores, nem sempre é um único motivo isolado:

CategoriasPrincipais Fatores
Fatores MetabólicosHipercalciúria (excesso de cálcio), Hiperoxalúria (excesso de oxalato), Hiperuricosúria (ácido úrico elevado), Baixo volume urinário (urina concentrada), Distúrbios do pH urinário, Alterações hormonais.
Fatores AnatômicosAnomalias do trato urinário (ex: duplicidade pielo-calicial), Obstruções ou estenoses que dificultem o fluxo de urina, Estase urinária.
Fatores DietéticosIngesta insuficiente de água, Dietas ricas em sal (sódio), Ingestão excessiva de proteínas animais, Consumo elevado de oxalato (espinafre, cacau, nozes), Ingestão inadequada de citrato.
Outros Fatores de RiscoObesidade, hipertensão e síndrome metabólica, Histórico familiar (predisposição genética), Uso de determinados medicamentos, Doenças crônicas (gota, hiperparatireoidismo).

As novas diretrizes da SBN recomendam que uma proporção dos pacientes seja investigada de forma mais ampla (inclusive com exames de urina de 24 horas), podendo se beneficiar até de pesquisa genética em centros especializados.

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Sintomas da Litíase Renal

Nem todos os cálculos causam sintomas, mas quando a pedra migra e obstrui o ureter, provoca a crise de dor característica, conhecida como cólica renal.

Sinais e sintomas comuns de pedras nos rins:

Importante: A intensidade e os sintomas variam dependendo do tamanho, da localização e da mobilidade do cálculo.

Diagnóstico da Litíase Renal

Para confirmar o problema, o diagnóstico da litíase renal combina avaliação clínica, exames laboratoriais e estudos de imagem. Desse modo, o médico consegue determinar o tipo e a gravidade do cálculo.

Avaliação clínica

Exames laboratoriais

Esses exames ajudam a caracterizar o tipo metabólico do paciente (ex: formador de cálcio, ácido úrico etc.).

Imagens e técnicas

ExameFunção
Ultrassonografia Renal/AbdominalMétodo de primeiro rastreio, sem radiação, útil para avaliar hidronefrose.
Raio-X Simples (Abdômen)Pode identificar cálculos radiopacos.
Tomografia Computadorizada de Baixa Dose (TC-LD)Exame de escolha, com alta sensibilidade e especificidade e radiação reduzida. Incluído nos fluxogramas diagnósticos mais recentes da SBN.

Análise do cálculo renal

Quando possível, após a eliminação ou remoção, o cálculo deve ser submetido à análise física, considerada padrão-ouro para determinar sua composição. Essa informação é vital para orientar o tratamento preventivo.

Tratamento da Litíase Renal

O tratamento depende diretamente de fatores como o tamanho do cálculo, localização, sintomas, função renal e risco de recorrência. Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente.

Manejo da crise aguda (cólica renal)

  1. Medicações analgésicas e anti-inflamatórias.
  2. Hidratação intravenosa (se houver náuseas ou desidratação).
  3. Controle de náuseas/vômitos.
  4. Exame de imagem rápido para determinar a posição e o tamanho do cálculo.

Tratamentos intervencionistas / cirúrgicos

Indicados quando o cálculo é grande, bloqueia o fluxo urinário ou causa complicações.

Tratamento metabólico para prevenção

Após uma crise, o foco é evitar recidivas. O tratamento preventivo é individualizado e orienta medicação conforme a análise metabólica da urina (ex: uso de diuréticos tiazídicos para hipercalciúria ou alopurinol para cálculos de ácido úrico).

Acompanhamento longitudinal

Pacientes devem ser acompanhados de forma contínua, com exames periódicos de urina de 24 horas, avaliação da composição do cálculo e ajustes terapêuticos. As diretrizes da SBN reforçam o papel do nefrologista nesse acompanhamento a longo prazo para reduzir complicações e recidivas.

Prevenção e autocuidado

A prevenção é peça-chave para quem já teve litíase renal. Além disso, pequenas mudanças de hábito podem reduzir muito o risco de novas crises.

Área de PrevençãoRecomendações Práticas
Consumo de LíquidosBeber água suficiente para manter a urina clara. Meta sugerida: cerca de $2 \text{ a } 2,5$ litros de urina por dia.
DietaReduzir a ingestão de sódio (sal). Moderação no consumo de proteínas animais. Evitar excesso de alimentos ricos em oxalato (para predispostos). Aumentar ingestão de alimentos ricos em citrato (limão, laranja).
Cálcio na DietaNão eliminar o cálcio completamente, mas evitar suplementações desmedidas.
Estilo de VidaManter peso corporal adequado e praticar atividade física regular. Controlar hipertensão, diabetes e obesidade.
InvestigaçãoRealizar o exame metabólico (urina de $24\text{h}$, sangue) após a crise, para identificar predisposições e adequar o tratamento preventivo.

Dicas práticas para a crise de cólica renal

  1. Hidrate-se (se estiver sem náusea e sem contraindicações).
  2. Tome o analgésico orientado pelo seu médico.
  3. Urine em coador apropriado para coletar o cálculo, caso ele seja expelido — a análise ajuda no diagnóstico.
  4. Procure atendimento médico de urgência para alívio da dor e avaliação.

Por que é importante investigar além da crise?

O problema mais comum no manejo da litíase é o foco restrito apenas à crise (a dor e eliminação da pedra), deixando de lado a investigação da causa e a prevenção. Estima-se que menos de 10% dos pacientes retornam para investigação após o episódio agudo.

Um manejo completo (diagnóstico metabólico + tratamento preventivo) pode reduzir drasticamente as recidivas, preservar a função renal e melhorar a qualidade de vida.

Considerações finais

A litíase renal é uma condição com forte impacto no bem-estar, mas que pode ser bem manejada com uma abordagem integrada, que une cuidados médicos, mudanças no estilo de vida e prevenção contínua.

As novas diretrizes brasileiras da SBN (2025) reforçam a importância do diagnóstico metabólico e do acompanhamento a longo prazo. Se você já teve pedra nos rins ou suspeita desse problema, procure um especialista para avaliação individualizada. A prevenção é possível e vale o esforço.

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