A doença renal crônica (DRC) é uma condição em que os rins sofrem lesão ou têm função diminuída de modo persistente, com impacto na saúde global. Em outras palavras, define-se como DRC qualquer indivíduo que apresente taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por pelo menos três meses consecutivos, ou evidências de dano renal (ex: proteinúria, alterações estruturais) mesmo com TFG ainda normal.

Além disso, estima-se que a DRC afete globalmente cerca de 10 % da população, embora muitos casos permaneçam silenciosos até fases mais avançadas.

Como se trata de uma doença progressiva e silenciosa, é fundamental, portanto, conhecer seus mecanismos, identificar precocemente e adotar medidas que retardem sua evolução e, assim, reduzam complicações. Neste artigo, vamos explicar:

Vamos desvendar a DRC de uma forma clara e prática.

👉 Conheça mais sobre o Dr. Lucas Luz, nefrologista especializado no cuidado e prevenção das doenças renais.

O que é Doença Renal Crônica?

DRC (ou em sua nomenclatura antiga insuficiência renal crônica) refere-se à perda lenta, progressiva e irreversível da função renal ao longo do tempo. Por outro lado, diferente de uma injúria renal aguda (IRA), que surge de forma súbita, a DRC evolui gradualmente e, muitas vezes, permanece assintomática nas fases iniciais.

Definição e critérios

Em primeiro lugar, a DRC é definida por evidência de lesão renal ou função reduzida por mais de 3 meses. Além disso, a taxa de filtração glomerular (TFG) é o principal marcador da função renal; assim, quando a TFG fica abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por 3 meses ou mais, já é considerada DRC. Por fim, mesmo com TFG normal, o paciente pode ter DRC se há sinais estruturais ou lesões renais (ex: proteinúria, imagem alterada) — desse modo, amplia-se a detecção precoce.

Estadiamento da DRC

A classificação da DRC combina dois eixos principais:

  1. Estágios baseados na TFG (G1 a G5);
  2. Categoria de albuminúria (ou proteinúria) (A1 a A3).

Assim, esse sistema (proposto pelo grupo internacional KDIGO e adotado também nas diretrizes nacionais) ajuda a estratificar risco e guiar condutas:

EstágioTaxa de Filtração Glomerular (mL/min/1,73 m²)
G1≥ 90 (com lesão renal)
G260-89
G3a45-59
G3b30-44
G415-29
G5< 15 ou diálise/transplante

Além disso, a categoria de albuminúria (A1 < 30 mg/g, A2 = 30-300 mg/g, A3 > 300 mg/g) acrescenta, portanto, informação prognóstica.

Com essa classificação, é possível definir, por exemplo: DRC G3aA2, DRC G4A1 etc. Pacientes com estágios mais avançados ou maior albuminúria têm risco mais elevado de progressão, complicações e mortalidade.

Causas e fatores de risco da Doença Renal Crônica (DRC)

Em geral, a DRC não aparece de forma isolada: costuma decorrer de doenças renais crônicas, alterações metabólicas ou condições sistêmicas que afetam os rins ao longo do tempo. A seguir, os principais:

Causas comuns

No Brasil, os principais fatores associados ao desenvolvimento de DRC com necessidade de terapia renal substitutiva são diabetes, hipertensão e glomerulopatias. Provavelmente, causas genéticas são subestimadas por baixo diagnóstico.

Fatores de risco modificáveis e não modificáveis

Não modificáveis:

Modificáveis:

Conhecer esses fatores ajuda a implementar estratégias preventivas e retardar a progressão da Doença Renal Crônica.

Como a DRC causa danos — fisiopatologia e consequências

Para entender os sintomas e complicações da DRC, é útil conhecer o que acontece no organismo, afetando a saúde dos rins:

  1. Perda de néfrons funcionantes: os néfrons (unidade básica dos rins) vão sendo destruídos gradualmente.
  2. Hiperfiltração compensatória: os néfrons remanescentes trabalham mais para compensar, o que ao longo do tempo causa maior desgaste e lesão glomerular.
  3. Acúmulo de toxinas (uremia): os rins não conseguem excretar adequadamente substâncias nitrogenadas, eletrólitos e produtos do metabolismo.
  4. Desequilíbrios hidroeletrolíticos: retenção de sódio, água, predisposição a edema, hipertensão, hipercalemia, alterações no fósforo e cálcio.
  5. Distúrbio mineral e ósseo: desequilíbrio de cálcio, fósforo, vitamina D e paratormônio levam à osteodistrofia renal.
  6. Anemia: menor produção de eritropoietina pelos rins, além de deficiência de ferro e menor duração das hemácias.
  7. Acidose metabólica: redução da capacidade de excretar ácido no organismo.
  8. Comprometimento cardiovascular: pacientes com DRC têm maior risco de doença cardíaca, vasculopatia e mortalidade cardiovascular.
  9. Comprometimento nutricional e fraqueza: perda de apetite, desnutrição, inflamação crônica.

Essas consequências explicam por que a DRC não é apenas “problema de rim” — é uma condição sistêmica com efeitos múltiplos no corpo.

Sintomas e sinais clínicos da Doença Renal Crônica

A DRC costuma evoluir silenciosa por muitos anos, porque os rins têm grande reserva funcional. Por isso, os sintomas aparecem geralmente quando a doença já está em estágio moderado ou avançado.

Alguns sintomas da DRC e sinais possíveis:

Esses sintomas nem sempre aparecem de modo específico ou tipicamente. Por isso, a suspeita geralmente parte de exames de rotina que mostram alterações nas funções renais ou proteinúria.

💡 Leia também outros conteúdos sobre nefrologia e saúde renal no nosso blog.

Diagnóstico e monitoramento da Doença Renal Crônica

De acordo com as diretrizes KDIGO 2024 Guidelines on CKD, a Doença Renal Crônica deve ser diagnosticada com base na Taxa de Filtração Glomerular e na presença de albuminúria.

Avaliação laboratorial

Exames de imagem / estrutura renal

Monitoramento periódico

Pacientes com DRC devem ser acompanhados regularmente, com repetição de exames laboratoriais e de imagem conforme o estágio da doença. Isso permite avaliar progressão e ajustar tratamento.

Tratamento da Doença Renal Crônica

O tratamento da DRC visa retardar sua progressão, controlar complicações e, nos estágios avançados, ofertar terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). Para isso, considere as abordagens a seguir.

Tratamento conservador / clínico

Esse é o pilar central no manejo da DRC nas fases iniciais e intermediárias. Inclui:

Controle de pressão arterial

Controle glicêmico

Modulação de dieta e nutrição

Controle de distúrbios metabólicos / complicações

Além disso, hoje há outras medicações que podem diminuir a progressão da Doença Renal Crônica que devem ser avaliadas caso a caso pelo nefrologista.

Quando iniciar terapia renal substitutiva (TRS) ou suporte renal artificial (SRA) – segundo a nova nomenclatura da SBN

Quando a DRC chega ao estágio em que os rins não conseguem mais manter o equilíbrio corporal (G5 ou disfunção grave), pode ser necessário iniciar a TRS — entre as opções, estão:

A escolha depende da condição clínica do paciente, disponibilidade local, preferência e indicação médica.

Monitoramento e ajuste contínuo

O tratamento requer ajuste conforme evolução da função renal, resposta ao tratamento, surgimento de complicações e tolerância individual.

Prevenção, autocuidado e recomendações práticas

Prevenir ou retardar a progressão da DRC é um dos objetivos mais importantes para preservar qualidade de vida. Para isso, aqui vão recomendações práticas:

Importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar

Como a DRC muitas vezes é silenciosa nos estágios iniciais, muitos pacientes só são diagnosticados em fases avançadas, quando surgem complicações. Por isso, a detecção precoce — especialmente em grupos de risco (diabéticos, hipertensos, com história familiar renal) — é fundamental.

Nesse sentido, uma abordagem multidisciplinar pode auxiliar a oferecer ao paciente:

Conclusão

A doença renal crônica (DRC) é uma condição de saúde silenciosa, progressiva e complexa, com impacto direto na qualidade de vida, no risco cardiovascular e na sobrevida dos pacientes.

Em suma, quanto mais cedo for identificada, maiores as chances de retardar sua progressão, evitar complicações e adiar — ou mesmo evitar — a necessidade de diálise ou transplante.

Se você ou alguém que conhece tem fatores de risco (hipertensão, diabetes, história familiar de DRC, etc.), é fundamental buscar avaliação médica, fazer exames regulares e adotar estilo de vida saudável.

👨‍⚕️ Agende uma consulta com o Dr. Lucas Luz e receba uma avaliação personalizada para cuidar da sua saúde renal.

Dr. Lucas Luz, Nefrologista

Dr. Lucas Luz

Médico Nefrologista — CRM 41145 | RQE 36999
Atendimentos presenciais em Porto Alegre e teleconsultas em todo o Brasil.

Agendar consulta

Veja também

Suportes Renais Artificiais e Terapia Renal Substitutiva (TRS): hemodiálise, diálise peritoneal e transplante

Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue, eliminar toxinas e equilibrar líquidos e eletrólitos, o organismo passa...

Ler mais
Litíase Renal (Pedra nos Rins): causas, sintomas e tratamento
Litíase Renal (Pedra nos Rins): causas, sintomas e tratamento

A litíase renal, também chamada de pedra nos rins ou cálculo renal, é uma doença renal relativamente comum que pode...

Ler mais
Diálise: o que é, como funciona, tipos, indicação e cuidados
Diálise: o que é, como funciona, tipos, indicação e cuidados

Diálise é um tratamento que substitui parte das funções dos rins quando eles falham. Dessa forma, torna-se vital para a...

Ler mais

Dr. Lucas Luz

Médico Nefrologista: CRM 41145 | RQE 36999 

Consultas presenciais em Porto Alegre/RS e atendimentos online para todo o Brasil.

Atendimento em Porto Alegre

Endereço: R. Miguel Tostes, 201 – Sala 413 – Rio Branco, Porto Alegre – RS, 90430-061

Telefone: 51 3314-3434

Agendamento de teleconsulta

Whatsapp: +55 51 9139-3918

© Dr. Lucas Luz 2025. Todos os direitos reservados.

Termos de Uso | Política de Privacidade | Política de Cookies